f.ribeiro     Fecha  18/08/2009 18:19 
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- Que gostava de ir a Mogadouro, pelo caminho velho! A pé. Era o dos Olmos debaixo da parreira do Barranco para alguns residentes. Que lhe bastava um para companhia. Que por ser sábado de festa não havia nada que fazer! Porque torna, porque volva, que era coisa de uma hora e não custava nada!
Que a tarde até estava fresca ....
Ao narrador que, a despeito de ser gordo e estar cansado, gosta destas coisas, foi fácil convencer. E surpreendentemente até os residentes aderiram à empresa. E lá foram, o Artur, o Ilídio, o alcaide, para oficializar a coisa, e o doutor dos OImos. Entusiasmado com a proposta que não com a forma de a concretizar, foi-se com eles também o escrevente. (A pé? A estas horas!? Com este calor!)
Sem cajado, nem calagouça abalaram em direcção á sede da comarca, com disposição de peregrinos e passada e andamento das praças recrutas.
Por desinteressante e demais conhecido, nada se dirá da parte do caminho até à Cruz. Há-de mais tarde falar-se da Urreta, mas tão só pela frescura da água, que não por especial merecimento do lugar.
E eis-nos então a descer para Valdremum.
Mas não, vamos antes por Cinzas. Já quase sem carvalhos. E um lameiro que já não serve. Pois se ninguém lhe segou o feno! se não lhe pastaram a erva, para que serve o lameiro?!
Logo estamos no Rouxinho. Lá está a casa do tio Meão. Ou o que antes foi.
Nem pássaros nem ninhos. Nem tão pouco lagartos no caminho. A hora, não sendo já de sesta, é ainda das cigarras.
De resto as terras são as mesmas de dantes. De restolho mas sem rilheiro. De adil quase todas. E de saudade. Tomamos agora para os lados da Azênia mas logo arrepiamos caminho. À corte do Barroso descemos para Milhares. Foi terra de lameiros, e freixos e viço. E de passagem obrigatória para pagar a finta e para a feira dos Gorazes. De feirantes e romeiros.
Encostados aos lameiros da Azênia, subimos para o Butaque.
A partir daqui haveríamos de ver, por vinhas, hortas e quintais, gente da vila. Qual quê!? Nem vivalma. Nem burros nem atafais. Nem rolas nem melros. Um gaio mudou de freixo. E foi o muito.
Enfim, caminho abandonado o da vila. Já não é andado nem por aprendiz nem por mestres dos ofícios. Não encontrámos nenhum daqueles rapazes despachados que aprendiam as artes de alfaiate, sapateiro, de ferreiro ou até de mecânico. Não se viu qualquer cachopa que fizesse o caminho a industriar-se na ciência dos lavores e da costura. Daqui até os peliqueiros enjeitaram.
Já na fonte da Santa Margarida, refresca-se a secura e as ideias. E já vemos o soto do Heitor. E em frente devia estar o Porfírio das retretes.
Olha aqui era o consultório do Dr. Cordeiro. E ali era a Farmácia. E ainda é. E a livraria do Adroaldo. Lugar de culto. Enorme no pedestal, imenso no engenho, o nosso Trindade Coelho. Em frente eram os Casimiros. E lá está ainda o Tribunal.
Naquele passeio, devia estar o Octávio com a sua caixa a engraxar sapatos. Já nem o Rato por aqui se enxerga.
Mas pronto é a vila, e o caminho foi andado.
Ficaram satisfeitos os andantes.

Este texto, não sendo pura ficção, que a tanto não está habilitado o narrador, é quase ficção, já que em razão do que se trata, é compulsivo mentiroso. Mesmo longe estou presente! Basta ouvir dizer e também lá estive!
Mas não. Não fiz a viagem. Esperei por eles na vila. À sombra de dois copos de cerveja e à espera das contas dos caminheiros. Que onde há caminheiros há contas!
Faz de conta que fui.
Ah, o dos Olmos tinha uma cana, e na vila não sabia que lhe fazer!?

Um abraço
f.ribeiro

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                               
 

Respostas (3)
 
  • » Faz de conta « - f.ribeiro - 18/08/2009 18:19 


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